Exposição 'Oliveira em Mente' | Até 18 de abril
A exposição “Oliveira em Mente”, com propostas para o território do concelho de Oliveira do Bairro, desenvolvidas por alunos de Arquitectura da Universidade de Coimbra, abriu oficialmente no passado sábado, na Câmara Municipal bairradina, ficando patente até 18 de abril.
Na cerimónia de abertura, que contou com a presença de várias entidades e individualidades, discursaram os professores Nuno Grande e João Paulo Cardielos, da Universidade de Coimbra, responsáveis pelos ateliers de projeto que originaram o trabalho apresentado, que explicaram e fizeram o enquadramento do trabalho realizado, Hugo Fernandes, Presidente da Mentes Convergentes, associação local que fez a ligação entre as duas entidades, que agradeceu aos alunos e professores envolvidos no projeto e à autarquia pelo “muito trabalho” realizado, e Cristovão Batista, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, que se mostrou honrado em abrir oficialmente a exposição.
Depois de agradecer à Faculdade de Arquitectura da Universidade de Coimbra, à Mentes Convergentes e mais diretamente aos alunos e professores envolvidos no projeto, Cristovão Batista convidou a população a conhecer “diferentes visões sobre o desenvolvimento do concelho” e a participar no debate público que vai acontecer no dia 1 de abril, a partir das 15h30, no edifício da Câmara Municipal, que tem como objetivo a “partilha de soluções, opções e estratégias em relação ao futuro do nosso território”.
Depois dos discursos, os professores Nuno Grande e João Paulo Cardielos apresentaram, a partir das maquetes expostas, o trabalho realizado pelos seus alunos, revelando propostas audazes e bem estruturadas, suportadas por uma evidente preocupação com a qualidade de vida das pessoas, com a ecologia e com o desenvolvimento sustentável do concelho.
O projeto Oliveira em Mente, materializado em duas maquetes de grande dimensão e painéis desenvolvidos por alunos do Mestrado de Arquitetura da Universidade de Coimbra, está patente até 18 de abril na Sala de Exposições da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro.
Para o dia 1 de abril está marcada a apresentação pública do projeto, às 15h30, seguida de uma discussão/debate, às 17h00, e uma mesa redonda, às 18h30, momentos abertos ao público.
O projeto “Oliveira em Mente” configura-se como um exercício académico concertado, que tem como objetivos, segundo os seus promotores, lançar uma reflexão alargada sobre o território concelhio de forma a explorar o potencial contido dentro das delimitações territoriais, perceber os impactes das transformações em curso e/ou pensadas para a região alargada imediata e encontrar suporte conceptual adequado para alguns dos evidentes constrangimentos que se colocam ao desenvolvimento integrado e sustentável do concelho de Oliveira do Bairro.
A iniciativa decorre de um protocolo celebrado entre o Município de Oliveira do Bairro, a Universidade de Coimbra e a Associação Cultural Mentes Convergentes, esta última que se assumiu como entidade interlocutora entre as duas instituições públicas.
A exposição, que poderá ser visitada todos os dias úteis entre as 9h00 e as 19h00, divide-se em dois temas, “Oliveira em Mente: desenhar nas entrelinhas da cidade” e “Oliveira em Mente: dinamizar o corredor ecológico do Cértima”.
INFORMAÇÃO SOBRE OS DOIS TEMAS
(Textos produzidos pelo Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra)
“Oliveira em Mente: desenhar nas entrelinhas da cidade”
Este tema debruça-se numa série de propostas para a região, debatidas e desenvolvidas no Ateliê de Projeto do 5.º ano do Mestrado de Arquitetura da Universidade de Coimbra (DArq/FCTUC).
Neste ateliê, e ao longo de um semestre (de setembro de 2016 a fevereiro 2017), os mestrandos foram convidados a pensar no potencial urbano de 5 linhas estruturantes deste território: os rios Cértima e Levira; a Estrada Nacional 235 (incluindo a sua Variante); a Linha Ferroviária do Norte; e a Autoestrada n.º 1. Nesse sentido, realizaram uma extensa maqueta da cidade, à escala 1/2000, centrada sobretudo na Freguesia de Oliveira do Bairro, e na sua articulação com o Município de Anadia. Nessa maqueta, assim como nos painéis que a acompanham, os mestrandos traçaram as “entrelinhas” dessas 5 estruturas, estabelecendo um novo “eixo urbano-ecológico” - dedicado a cidadãos, passeantes e ciclistas -, o qual liga o Rio Cértima ao Rio Levira, através do centro urbano, da estação ferroviária e do novo Parque Verde (este já previsto no PDM de Oliveira do Bairro).
Esse eixo torna o percurso citadino mais aprazível - porque menos dependente do transporte particular - entre arrozais, quintas urbanas, hortas comunitárias, alamedas, Quartel das Artes Dr. Alípio Sol e Câmara Municipal, novo Mercado, jardins e miradouros, e um Elevador Público lançado na encosta poente da cidade até à estação ferroviária de Oliveira do Bairro. Redesenhada nas suas duas frentes, a estação adquire assim um papel articulador entre o centro tradicional e o novo Parque Verde, a estender na veiga da Alagoa. Este parque é desenhado de norte para sul, paralelo ao Rio Levira, incorporando novas valências lúdicas - hortas pedagógicas, lagoas fluviais, recintos para skaters, e anfiteatro ao ar livre - mas também para poente, seguindo a linha do rio, desde a A1, englobando ciclovias, pontos de observação, moinhos reabilitados, piscinas fluviais e um museu arqueológico.
Articulado com a denominada “alameda urbana” no centro de Oliveira do Bairro, traçada no sentido norte-sul (EN 235), esse novo eixo “urbano-ecológico” nascente-poente, ajuda a redefinir as “portas” da cidade, a partir, quer da Variante à EN 235, quer da A1, integrando, neste último caso, o futuro nó rodoviário de acesso ao município vizinho (este já previsto no PDM de Anadia). Ainda ao longo da A1 - hoje uma barreira física e paisagística considerável - desenham-se novos momentos de conexão entre a freguesia de Oliveira do Bairro e as freguesias a poente. Num desses pontos, implanta-se uma nova Área de Serviço, no seio do Polo Industrial de Vila Verde (atualmente em expansão), oferecendo áreas de abastecimento, descanso, restauração e pernoite, mas sobretudo um parque ajardinado sobre a A1 (que aqui passa a fazer um breve percurso em túnel), usufruível pelos automobilistas de passagem, mas também pelos trabalhadores do parque industrial e demais habitantes das freguesias vizinhas.
“Oliveira em Mente: dinamizar o corredor ecológico do Cértima”
Este segundo tema foi desenvolvido pelos estudantes do Atelier de Projeto ID, do 4.º ano do Mestrado em Arquitetura, e expõe uma ideia de modelação integrada para aquela que é, à escala regional (até mesmo com alguns valores de referência à escala nacional), uma paisagem natural muito singular e bio diversa, com enorme valor ambiental e correspondente potencial turístico. Ao procurar concretizar os meios para o seu reconhecimento e valorização, o projeto parte de algumas das intenções pré-estabelecidas em níveis de planeamento supramunicipal, correspondente ao enquadramento na região do Baixo Vouga Lagunar, da qual o corredor do Rio Cértima e a Pateira de Fermentelos são partes integrantes e importantes. Este lindíssimo vale, onde as atividades ligadas ao mundo rural desenharam durante séculos a realidade presente, que nos anos mais recentes se tem esbatido, carece de visibilidade e de um reconhecimento que passa, sobretudo, pela afirmação clara do seu valor e pela reativação das importantes atividades económicas tradicionais, que as alterações das estruturas demográficas e laborais tendem a destruir.
Se nada é omisso, neste corredor ambiental e ecológico, também nada estimula ou propicia, nas atuais circunstâncias, este alavancar de novos reconhecimentos e valorizações. Por isso mesmo, desde logo, importa criar condições de visita e percursos ativos e diferenciados de atravessamento, onde as experiências emocionais se possam multiplicar livremente. Elas serão algumas das bases essenciais deste processo, que em nada colidem com as intenções plasmadas em planos superiores como o Polis Litoral Ria de Aveiro, que afirma ser importante a extensão de percursos pedestres e cicláveis no contorno de toda a zona húmida lagunar. Importa também equilibrar esta oferta de novos trilhos, na sua sinalização e, sobretudo, na etapização dos seus trechos, de modo a que se proporcionem visitas e estadias confortáveis e seguras, adequadas a muitos e diversos grupos de utilizadores. Importa também avaliar que outras complementaridades, nos desportos ou na investigação, por exemplo, podem parametrizar os modos como as culturas, as práticas quotidianas e os turismos mais variados se devem articular, em programas complementares de incentivo e mapeamento de oportunidades e integração.
Face à dimensão interconcelhia deste tema, os limites deste exercício académico foram expandidos sobre as áreas vizinhas de Águeda e Aveiro, a norte. Neste sentido, os alunos realizaram uma extensa maqueta (escala 1/2000) centrada no corredor ribeirinho do Cértima, que se estende da Murta até Requeixo, e que engloba toda a Pateira de Fermentelos. Os painéis que acompanham este modelo explicam como, em três diferentes setores deste corredor (que tem cerca de 9 km de extensão), foram abordadas as principais questões e se desenharam as soluções espaciais propostas, que visam dinamizar e valorizar todo este potencial ambiental. Desde o ‘lagunário’ do Baixo Vouga ao viveiro e centro de tratamento de aves selvagens, aos miradouros e apoios de observação de aves, passando pela reinstalação das bandas locais, o núcleo de tratamento fitossanitário das águas do Cértima, a piscina biológica ou o centro de cuidados pessoais (spa), aqui tudo se organiza em torna de uma nova qualidade ambiental, que promova a exploração e visitação, em modos turísticos e de lazer muito variados. Pequenas unidades hoteleiras especializadas e um centro de alto rendimento desportivo, vocacionado para o ciclismo todo-o-terreno, juntamente com um amplo conjunto de trilhos pedestres e vias cicláveis, completam este projeto estratégico para este corredor natural.
Objetivos dos temas
Os dois temas atrás apresentados contêm diferentes linhas de atuação e desenho urbano, com objetivos específicos bem definidos. No caso do tema “Oliveira em Mente: desenhar nas entrelinhas da cidade”, os objetivos são os de “estudo e avaliação, num enquadramento de transformação prospetiva, dos impactes e ruturas plasmadas no território pelas inúmeras barreiras infraestruturais que se foram estabelecendo ao longo das últimas décadas (após a fixação do corredor ferroviário, ainda no final do século XIX, foram inúmeros os corredores que os sistemas de mobilidade rodoviários lhe acrescentaram, com efeitos fraturantes e uma sistemática alteração das escalas espaciais de referência, que foram desumanizando progressivamente os espaços urbanizados do concelho, e a esta realidade não é indiferente a evolução do parque industrial, bem como a sua transformação/deterioração).”
Relativamente ao tema “Oliveira em Mente: dinamizar o corredor ecológico do Cértima”, os objetivos passaram pelo “estudo e avaliação das (des)continuidades territoriais, geológicas e paisagísticas, que se foram estabelecendo no território, e que resultaram na progressiva fracturação do continuum naturale, rompendo os equilíbrios ecológicos e as relações íntimas que, ancestralmente, se haviam estabelecido entre os cidadãos e as suas paisagens de proximidade, que os extensos e bem singulares espaços naturais da região sempre proporcionaram.”

