Alunos da Secundária distinguidos por poema sobre o Holocausto
Três alunos da Escola Secundária de Oliveira do Bairro receberam uma Menção Honrosa pela sua participação no Concurso “Contar o Holocausto”, promovido pelo Ministério da Educação e pela associação Memoshoá.
A cerimónia de entrega de prémios decorreu em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, no passado dia 29 de novembro, onde estiveram Alexandre Melo Mota, Diogo Martins Ribeiro e Mário João Pereira Lopes, alunos da Escola Secundária de Oliveira do Bairro (ESOB), que foram convidados a apresentar publicamente o poema com que concorreram ao concurso.
A acompanhar os alunos, para além do Professor António Travassos, que os orientou no trabalho e na candidatura, e de outros elementos do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Bairro, esteve a Vereadora da Educação Lília Ana Águas, que se mostrou “bastante orgulhosa do trabalho e da distinção” alcançada pelos alunos do seu Município, fazendo questão de felicitar os jovens mas também os professores e toda a comunidade escolar concelhia, pelo “excelente trabalho que têm realizado e pelos sucessivos prémios e reconhecimento que têm alcançado, a nível nacional e internacional, em áreas que vão da Literatura ao Desporto, passando pela História e Ciência”.
A cerimónia contou com a presença de Carmelo Rosa, representante da Fundação Calouste Gulbenkian, Esther Mucznik, presidente da Memoshoá, Marçal Grilo, em representação do Júri do Concurso, e Eulália Alexandre, Subdiretora da Direção Geral da Educação.
O concurso escolar “Contar o Holocausto”, destinado a alunos do 3.º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário, foi promovido pela Memoshoá – Associação Memória e Ensino do Holocausto (Memoshoá), em parceria com a Direção-Geral da Educação (DGE), e teve como objetivos promover a aprendizagem do Holocausto e de outros genocídios, promover a reflexão sobre o valor da Democracia, valorizar a importância da aceitação do outro, respeitando as suas diferenças, valorizar a memória histórica coletiva e individual e estimular nos jovens diferentes formas de comunicação, a sensibilidade estética e a criatividade.
Participaram no concurso 150 Escolas do Ensino Básico e Secundário de todo o país, continente e ilhas, incluindo uma de Moçambique e outra de França, num total de 743 alunos e 253 professores envolvidos, de áreas tão diversas como História (o maior número), Português, Artes, Filosofia, Geografia, Psicologia, Área de Integração, Moral, entre outras.
O número de trabalhos enviados a concurso atingiu os 293, nos mais variados formatos e suportes, desde a banda desenhada, quadros, esculturas, diários, poemas, web site, videojogos, vídeos, peças de teatro, textos de ficção, ensaios, etc.
O 1.º Prémio foi atribuído ao trabalho em Banda Desenhada “Emuná (Fé)”, de alunos da Escola Secundária da Amadora, que foram premiados com uma viagem ao campo de Auschwitz/Birkenau. A 1.ª menção honrosa e Prémio Especial do Júri foi atribuída ao quadro “Train numéro 813”, da Escola Secundária António Arroio, a 2.ª Menção Honrosa foi atribuída ao web site “Holocausto”, da Escola EB 2.3 José Relvas, de Alpiarça, e a 3.ª Menção Honrosa foi atribuída ao já referido poema “Vi o teu rosto”, da Escola Secundária de Oliveira do Bairro.
O júri que apreciou os trabalhos foi composto por Eduardo Marçal Grilo, ex-Ministro da Educação, por Isolina Frade, em representação da DGE, pela jornalista do Expresso Luciana Leiderfarb, por Luísa Godinho, em representação da Memoshoá, e por Maria Manuel Castro, estudante da Faculdade de Letras de Lisboa.
Poema "Vi o teu rosto"
Escola Secundária Oliveira do Bairro
Alexandre Melo Mota (10º ano)
Diogo Martins Ribeiro (10º ano)
Mário João Pereira Lopes (10º ano)
Prof. António Travassos
Vi o teu rosto, e estremeci…
Vi o teu rosto na Estrela de David,
que te pesava no ombro,
e na curva do teu corpo,
que suportava todas as humilhações.
Vi o teu rosto na noite…na Noite de Cristal…
e em todas as noites que se seguiram.
O teu rosto iluminado pela dúvida e pelo medo.
Nas interrogações de tantos rostos, cansados,
fechados dentro de carruagens,
embalados pelo movimento dos comboios.
Comboios, comboios e mais comboios…
Rostos, rostos e mais rostos…
Vi teu rosto presente no Gueto de Varsóvia,
em Dachau, Treblinka, Belzec, Chelmno, Bergen-Belsen…
Na tua inquietação ao chegares a Auchwitz.
“Arbeit macht frei”
Na multidão de olhares vazios, perdidos, separados,
no inferno das câmaras de gás,
no abismo das valas comuns,
no fumo a sair das chaminés dos crematórios…
Rostos, rostos e mais rostos…
Vi o teu rosto no dia da libertação,
(eu que durante muito tempo tive medo de dizer a palavra liberdade).
Vi o teu rosto nos abraços, nos sorrisos, nas lágrimas…
Nas memórias presas ao arame farpado.
No teu regresso a casa e na procura do teu futuro…
“Oh Jerusalém!”
Vi o teu rosto no Camboja, no Kosovo, no Ruanda…
e em tantos outros rostos naufragados.
Vejo o teu rosto, e estremeço…

